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quinta-feira, 9 de agosto de 2012

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

À sombra de Hiroshima


Há muito em que se pensar neste 6 de agosto, aniversário da destruição de Hiroshima por uma bomba atômica. De 1945 para cá, o mundo esteve várias vezes à beira da guerra nuclear. O Irã está no centro, hoje, da crise mais grave que ameaça o mundo com uma guerra destruidora. A guerra contra o Irã está em processo, inclusive com o assassinato de cientistas e pressões econômicas que chegaram ao nível de guerra não declarada. A atual escalada dessa guerra não declarada aumenta a ameaça de uma guerra acidental em grande escala. 

O dia 6 de agosto, aniversário de Hiroshima, deveria ser um dia de reflexão sombria, não só a respeito dos acontecimentos terríveis dessa data, em 1945, mas também sobre o que eles revelaram: que os seres humanos, em sua busca dedicada por meios de aumentarem a sua capacidade de destruição, finalmente tinham conseguido encontrar uma forma de se aproximarem desse limite final.
Os atos em memória desse dia têm um significo especial neste ano. Têm lugar pouco antes do 50º aniversário do momento mais perigoso na história humana, nas palavras de Arthur M. Schlesinger Jr, historiador e assessor de John F. Kennedy, ao se referir à crise dos misseis cubanos. Graham Allison escreve na edição atual da Foreign Affairs que Kennedy ordenou ações que ele sabia que aumentariam o risco, não só de uma guerra convencional, mas também de um enfrentamento nuclear, com uma probabilidade que, acreditava ele, de talvez 50% , cálculo que Allison considera realista.
Kennedy declarou um alerta nuclear de alto nível, que autorizava o uso de aviões da OTAN, tripulados por pilotos turcos (ou outros), a decolarem, voarem a Moscou e largarem uma bomba. Ninguém esteve mais assombrado pela descoberta dos mísseis em Cuba do que os homens encarregados de mísseis similares que os Estados Unidos tinha largado clandestinamente em Okinawa, seis meses antes, seguramente apontados para a China, em momentos de tensão crescente. Kennedy levou o presidente soviético Nikita Krushev à iminência da guerra nuclear e ele olhou o que se aproximava e não teve estômago para a coisa, segundo o general David Burchinal, então alto oficial do pessoal de planejamento do Pentágono.
Não se pode contar sempre com essa cordialidade. Krushev aceitou uma fórmula apresentada por Kennedy pondo fim à crise que estava a ponto de se converte em guerra. O elemento mais audacioso da formula, escreve Allison, era uma concessão secreta que prometia a retirada dos mísseis estadunidenses da Turquia num prazo de seis meses depois do fim da crise. Tratava-se de mísseis obsoletos que estavam sendo substituídos por submarinos Polaris, muito mais letais.
Em resumo, correndo inclusive o alto risco de uma guerra de destruição inimaginável, considerou-se necessário reforçar o princípio de que os Estados Unidos têm o direito unilateral de situar misseis nucleares em qualquer parte, alguns apontados para a China ou para as fronteiras da Rússia, que até então não tinha nunca posto mísseis fora da URSS.
Ofereceram justificações, é claro, mas não sobrevivem a uma análise. Cuba, como princípio correlato a isso, não estava autorizado a possuir mísseis para sua defesa contra o que parecia ser uma invasão iminente dos Estados Unidos. Os planos para os programas terroristas de Kennedy, a Operação Mangusto, estabeleciam uma revolta aberta e a derrocada do regime comunista em outubro de 1962, mês da crise dos mísseis, com o reconhecimento de que o êxito final exigiria uma intervenção decisiva dos Estados Unidos.
As operações terroristas contra a Cuba são descartadas habitualmente pelos comentaristas como travessuras insignificantes da CIA. As vítimas, como é de se supor, veem as coisas de uma forma bastante diferente. Ao menos podemos ouvir suas palavras em Vozes do outro lado: Uma história oral do terrorismo contra Cuba, de Keith Bolender.
Os eventos de outubro de 1962 são amplamente celebrados como o melhor momento de Kennedy. Allison os oferece como um guia sobre como reduzir o risco de conflitos, manejar as relações das grandes potências e tomar decisões acertadas a respeito da política externa em geral. Em particular, os conflitos atuais com o Irã e a China.
O desastre esteve perigosamente próximo em 1962 e não tem havido escassez de graves riscos desde então. Em 1973, nos últimos dias da guerra árabe-israelense (a guerra do Yom Kippur), Henry Kissinger lançou um alerta nuclear de alto nível. A Índia e o Paquistão tem estado há muito próximos de um conflito atômico. Tem havido inúmeros casos nos quais a intervenção humana abortou um ataque nuclear momentos antes do lançamento de mísseis, com base em falsas informações de sistemas automatizados.
Há muito em que se pensar no 6 de agosto. Allison se une a muitos outros ao considerar que os programas nucleares do Irã são a crise atual mais grave, um desafio ainda mais complexo para os formuladores da política dos Estados Unidos do que a crise dos mísseis cubanos, dada a ameaça de um bombardeio israelense. A guerra contra o Irã está em processo, inclusive com o assassinato de cientistas e pressões econômicas que chegaram ao nível de guerra não declarada, segundo o critério de Gary Sick, especialista em Irã.
Há um grande orgulho da sofisticada ciberguerra dirigida contra o Irã. O Pentágono considera a ciberguerra como ato de guerra, que dá um cheque em branco para o uso da força militar tradicional, informa o The Wall Street Journal. Com a exceção usual: não quando o Estados Unidos ou um aliado é que a realiza. A ameaça iraniana tem sido definida pelo general Giora Eiland, um dos maiores estrategistas militares de Israel, “um dos pensadores mais engenhosos e prolíficos que (as Forças de Defesa de Israel) produziram”.
Entre as ameaças que ele define, a mais plausível é que qualquer enfrentamento nas fronteiras teria lugar sob um guarda-chuva nuclear iraniano. Em consequência, Israel poderia se ver obrigado a recorrer à força. Eiland está de acordo com o Pentágono e com os serviços de inteligência dos Estados Unidos, que consideram a dissuasão como a maior ameaça que o Irã representa.
A atual escalada da guerra não declarada contra o Irã aumenta a ameaça de uma guerra acidental em grande escala. Alguns perigos foram ilustrados no mês passado, quando um barco estadunidense, parte da enorme força militar no Golfo, disparou contra uma pequena embarcação de pesca, matando um membro da tripulação indiana e ferindo outros três. Não seria preciso muito para iniciar outra guerra importante.
Uma forma sensata de evitar as temidas consequências é buscar a meta de estabelecer no Oriente Médio uma zona livre de armas de destruição em massa e todos os mísseis necessários para o seu lançamento, e o objetivo e uma proibição global do uso de armas químicas – o que é o texto da resolução 689 de abril de 1991, do Conselho de Segurança, que os Estados Unidos e a Grã Bretanha invocaram em seu esforço para criar uma cobertura complacente para a sua invasão do Iraque, 12 anos depois.
Essa meta tem sido um objetivo árabe-iraniano desde 1974 e nesses dias tinha um apoio global quase unânime, ao menos formalmente. Uma conferência internacional para debater formas de levar a cabo esse tratado pode ocorrer em dezembro. É improvável o progresso, a menos que haja um apoio público massivo no Ocidente. Ao não se compreender a importância dessa oportunidade, alarga-se mais uma vez a sombra que tem obscurecido o mundo desde o terrível 6 de agosto.
Noam Chosmky é o maior linguista do século XX, professor emérito do MIT.
Tradução: Katarina Peixoto


Do Contexto Livre

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Crise nuclear: Novas acusações contra empresa japonesa

Um quarto relatório sobre os danos à central nuclear de Fukushima confirma a atuação inadequada da Tóquio Electric Power (Tepco) e do Governo do então premiê Naoto Kan, diante da crise gerada pelo terremoto e posterior tsunami do dia 11 de março de 2011.

O documento, elaborado por um grupo de especialistas criado pelo atual premiê, Noshihiko Noda, aponta que os executivos da empresa e os órgãos reguladores de segurança nuclear não agiram com consciência para evitar o pior dos cenários, que foi o que acabou ocorrendo na realidade.

Tais ações desataram uma crise sem precedentes no país, provocaram a fusão parcial dos reatores da planta e bloquearam a utilização de sistemas de refrigeração alternativos, além de que os técnicos da Tepco precisavam de uma preparação adequada, afirma o relatório, um compêndio de 450 páginas.

As investigações realizadas pela entidade, junto a especialistas designados pelo Governo, não foi suficiente clara e implicou uma atuação incorreta em matéria de prevenção perante um desastre dessa magnitude, acrescenta o texto que também critica o então premiê Kan, cujas decisões qualifica como perniciosas.

Esse quarto relatório chega às mesmas conclusões que os emitidos anteriormente por comissões independentes e coincide na exoração às autoridades a que aprofundem suas políticas acerca de um tema tão sensível como a geração de eletricidade a partir da energia nuclear.

Depois de encerrar a operação das 54 centrais nucleares do país, a partir de maio o Governo japonês liberou o funcionamento de dois reatores na de Oi, na região de Kanzai, sob o pretexto de risco de apagões pela falta de abastecimento elétrico no início do verão.

Essas decisões geraram numerosos protestos no país e aumentam a rejeição à utilização da energia nuclear como fonte energética, segundo as manifestações mais massivas realizadas na última semana em Tóquio, conforme publicaram meios como o jornal diário Asahi Shimbun e a cadeia de televisão NHK, entre outros.

Fonte: Prensa Latina
 

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Japão e China iniciam troca de moedas direta

 
O governo Japonês anunciou que vai começar a troca de moedas direta com a China pela primeira vez, a demolição do dólar como unidade intermediária, pela primeira vez na tentativa de impulsionar os negócios entre os dois gigantes asiáticos.
 
O Ministro das Finanças Azumi, disse que o acordo entre a China e o Japão, que hoje são a segunda e terceira maiores economias do mundo, servirá para a fixação das taxas de Iene e Yuan.
 
A medida vai impulsionar o comércio e o investimento entre os dois países, e de acordo com a mídia japonesa esta será a primeira vez que uma moeda diferente ao dólar será comercializado diretamente com o Yuan.
 
Por não usar o dólar como moeda intermediária, os custos de transação e riscos de liquidação financeiras serão consideravelmente reduzidos nas negociações entre os dois países.
 
As negociações sob o novo regime vai começar entre Tóquio e Xangai em 01 de junho, disse Azumi.
 
A China ultrapassou o Japão para se tornar a segunda maior economia mundial em 2010, e seus vizinhos estão forjando laços estreitos com a China, apesar de frequentes brigas diplomáticas sobre reivindicações territoriais.
 
As potências econômicas também concordaram em promover o uso de suas moedas em transições bilaterais, tais como yuan denominado como moeda de investimento direto por empresas japonesas na China, para reduzir os riscos cambiais.
 
Os movimentos parecem ser uma estratégia de Pequim para internacionalizar o yuan, que será uma tentativa a longo prazo de tornar a moeda tão forte quanto o dólar.
 
O iene, por sua vez, bateu recordes históricos em relação ao dólar no ano passado, amassando os exportadores, cujo produtos se tornam mais caros no exterior quando a moeda se fortalece.
 
Autoridades financeiras japonesas se comprometeram a entrar no mercado de moeda corrente novamente para domar o valor da unidade, que está cada vez mais vista como uma moeda segura, o euro também tem estremecido devido as preocupações como a zona do euro e sua crise.
 
Japan Today

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Os trabalhadores “intocáveis” do Japão

               

Roger Witherspoon
Tradução: Renzo Bassanetti
Socialist Worker

O antigo Japão não tinha uma população negra escrava para usar e abusar dela. Para isso, criaram os burakumin, com a finalidade de preencher esse vazio econômico e social na base da sociedade. Eles ainda existem.

Se a tarefa era suja ou perigosa, ou envolvia um estigma social, contratai os burakumin. Aceitarão a tarefa. Eles têm poucas opções, e como todos os demais na sociedade japonesa, necessitam de dinheiro para viver, inclusive em seus guetos. Alem do mais, para isso serve uma classe “intocável” permanente.

Assim era séculos atrás, quando a classe samurai criou os burakumin para que se fizessem responsáveis pelo trabalho sujo da sociedade. E assim é agora, quando é preciso limpar os escombros de quatro reatores nucleares em Fukushima Daiichi, e a empresa não quer desperdiçar empregados capacitados em trabalhos que os contaminarão e os tornarão inutilizáveis para mais trabalho na área nuclear.

“São `pessoas descartáveis´”, diz Yuki Tanaka, professor de História no Instituto da Paz Hiroshima, da Universidade de Hiroshima City, no Japão. “São os intocáveis”.