Guerrilheiro Virtual

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Obama é acusado de ser pró-Israel no mundo árabe e pró-Palestina nos EUA


no twitter @gugachacra

Mahmoud Abbas se transformou em herói palestino. Binyamin Netanyahu manteve a sua base em Israel. E Barack Obama é considerado anti-Israel em política doméstica e pró-Israel em política externa.

Note que não estou entrando na questão do que seria bom para palestinos e israelenses. Já deixei claro em outros posts que a proposta francesa, de reconhecimento da Palestina como Estado observador, seria a melhor opção.

Neste post, apenas quero frisar que o líder americano fracassou. Será sempre considerado um covarde no mundo árabe. E, por mais que Netanyahu tenha afirmado o contrário, está claro que Israel não o considera um aliado. Basicamente, o presidente americano conseguiu a façanha inédita de ser odiado entre árabes e israelenses. Mesmo nos EUA, sua popularidade caiu na comunidade judaica e na islâmica.

Obama não acredita em suas convicções e se mostra hipócrita. Ao exigir o congelamento na construção dos assentamentos, o líder americano mostrou qual a sua posição sobre o conflito. Segundo ele, as colônias na Cisjordânia são um obstáculo para a paz. Também insistiu que as fronteiras deveriam ter como base 1967.

Pode-se concordar ou não com esta visão de Obama. O que ninguém esperava era um presidente dos Estados Unidos voltar atrás depois de tomar um bronca pública de Netanyahu na Casa Branca. O líder israelense, com todos os seus defeitos, não é hipócrita. Toma uma decisão e segue com ela adiante. Idem para o presidente palestino. Já Obama, não.

E não é só em Israel que Obama mostra hipocrisia. O presidente americano chamou a monarquia do Apartheid de Bahrain de amiga em seu discurso na ONU. Para o Iêmen, pediu diálogo na transição. Na Síria, defendeu sanções e a queda de Assad. Na Líbia, patrocinou a intervenção militar. Nada contra as alternativas em Sanaa, Damasco e Trípoli. Mas deprime ver um presidente americano defender a repressão e, mais importante, armar um regime como o do Al Khalifa, que tortura e mata crianças e mulheres. Poderia ter optado no mínimo pela omissão da palavra “amigo”.

No início dos anos 1990, os EUA tiveram um presidente respeitado por árabes e israelenses. O nome dele era George Bush, o pai.
Leiam ainda o Radar Global. Também acompanhem a página do Inter do Estadão no Facebook

Comentários islamofóbicos, anti-semitas e anti-árabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes. Os comentários dos leitores não refletem a opinião do jornalista

O jornalista Gustavo Chacra, correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

Nenhum comentário:

Postar um comentário

”Sendo este um espaço democrático, os comentários aqui postados são de total responsabilidade dos seus emitentes, não representando necessariamente a opinião de seus editores. Nós, nos reservamos o direito de, dentro das limitações de tempo, resumir ou deletar os comentários que tiverem conteúdo contrário às normas éticas deste blog. Não será tolerado Insulto, difamação ou ataques pessoais. Os editores não se responsabilizam pelo conteúdo dos comentários dos leitores, mas adverte que, textos ofensivos à quem quer que seja, ou que contenham agressão, discriminação, palavrões, ou que de alguma forma incitem a violência, ou transgridam leis e normas vigentes no Brasil, serão excluídos.”