Mesmo após a pressão de última hora dos Estados Unidos e da União Europeia, que enviaram diplomatas ao Oriente Médio para tentar oferecer um novo impulso às negociações, Mahmoud Abbas, o presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina), prometeu que não vai recuar e deve seguir adiante com o pedido de ingresso na ONU do Estado palestino no dia 23 de setembro, na 66ª Assembleia Geral do organismo.
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"Ir às Nações Unidas para solicitar a entrada como Estado-membro para a Palestina na organização internacional é uma coisa inevitável e não há como recuar disso", disse Abbas à uma emissora de TV egípcia.
"Apesar das pressões exercidas sobre nós, a Palestina irá às Nações Unidas no dia 23 deste mês para solicitar a entrada como Estado-membro", acrescentou.
O presidente da ANP, Mahmoud Abbas, aparece em imagem de arquivo na cidade de Ramallah, na Cisjordânia |
O pedido deve ser levado ao Conselho de Segurança da ONU, que, em caso de aprovação, recomenda à Assembleia Geral que vote a favor. No entanto, estima-se que os EUA utilizem seu poder de veto no Conselho, fazendo com que a solicitação seja levada diretamente à Assembleia.
Entre os 193 países que integram a Assembleia, os palestinos dizem ter maioria. Mas o máximo que a votação pode produzir é um status de Estado não-membro.
Somente o Conselho de Segurança pode aprovar o status de Estado-membro.
Imagens mostram jovens manifestantes palestinos após combates com forças israelenses na Cisjordânia |
Os Estados Unidos, Israel e a União Europeia já deixaram claro que não são favoráveis ao pedido de independência unilateral na ONU e que a criação do Estado palestino deveria surgir somente por meio das negociações de paz com os israelenses.
O último round de negociações entre israelenses e palestinos terminou em impasse ainda no passado, quando as questões das fronteiras pré-1967 e os assentamentos judaicos em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia foram temas de discordância entre os dois lados.
OBAMA REJEITA IDEIA
O presidente dos EUA, Barack Obama, disse na segunda-feira numa coletiva de imprensa em Washington que seu governo seria contrário ao reconhecimento do Estado palestino na ONU.
Numa coletiva com correspondentes de língua espanhola na capital americana, o presidente disse que seu país se "oporia firmemente" a uma potencial solicitação palestina ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para que a Palestina passe a integrar o organismo, atualmente com 193 países, como um Estado.
Obama acrescentou que tal reconhecimento só serviria de "distração e não resolveria o problema" entre israelenses e palestinos.
Palestinos preparam cadeira simbólica na cidade de Jenin |
O "Estado da Palestina" proposto possui as fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias de 1967, que são internacionalmente aceitas, mas rechaçadas por Israel. Ele inclui Gaza, Cisjordânia e, como capital, Jerusalém Oriental.
O procedimento estabelecido para que um país seja admitido como novo Estado membro da ONU estipula que, após apresentar a solicitação formal à Secretaria-Geral, nove dos 15 membros do Conselho de Segurança devem apoiá-lo, entre eles os cinco permanentes com direito de veto.
Caso a proposta seja aceita, o Conselho recomenda então à Assembleia Geral debater a incorporação do novo membro, que deve ter a aprovação de dois terços da câmara.
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