Guerrilheiro Virtual

quarta-feira, 18 de abril de 2012

A Argentina e o risco político


André Siqueira, CartaCapital

“O Brasil poderá levar ainda alguns anos para assumir um posto entre os países desenvolvidos, mas é de causar espanto o coro fácil de nossa mídia com seus pares do chamado primeiro mundo. Uma rápida análise das relações comerciais recentes do País com os vizinhos da América do Sul mostra o quanto tivemos a ganhar ao apoiar (ou, no mínimo, não desqualificar) as decisões soberanas de governantes com relação ao uso de seus recursos naturais. Como a recente decisão da presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, de estatizar a petrolífera YPF, e assumir a participação que cabia à espanhola Repsol – cujos interesses são defendidos por quase todos os editoriais brasileiros.

Em meio às denúncias de inobservância a contratos, ilegalidades e aos alertas quanto às terríveis represálias de bancos, multinacionais e líderes europeus quebrados, pouca ênfase é dada à operação tartaruga realizada pelos grandes grupos privados que controlam o setor petrolífero argentino. Entre 2003 e 2010, o consumo de petróleo e gás subiu 38% e 25%, respectivamente, enquanto a produção declinou 12% e 2,3% no mesmo período. Isso em um país com uma das maiores reservas mundiais provadas de gás de xisto.

O descompasso energético tem custado muito caro à Argentina (a estimativa é de um rombo crescente de 60 bilhões de dólares neste ano), mas apenas há três anos o setor era superavitário. Eis aí a justificativa, simples, para a ação supostamente intempestiva da Casa Rosada.

Vale lembrar que o público incauto de alguns dos principais telejornais brasileiros ficou a imaginar que os espanhóis foram simplesmente expulsos e saíram de mãos abanando da Argentina. Pouca ou nenhuma menção foi feita ao fato de que um tribunal federal irá decidir o valor a ser pago pelas ações da empresa.”
 
Artigo Completo, ::Aqui::
 

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