GilsonSampaio
Quando Nestor Kirchner mandou a canalha bancária catar coquinho em outra freguesia a mídia vassala do mercado financeiro esgotou farto material condenando a Argentina à mendicância eterna e para comover a audiência chorava lágrimas de crocodilo as perdas dos fundos de pensões do velhinhos italianos. Seria comovente não fosse o lado oculto da notícia. A Argentina chegou a pagar até 500% de juros ao ano aos mesmos coitadinhos velhinhos italianos.
Quando estourou a crise da Grécia a mesma mídia vassala fez o que podia para esconder o risco de quebradeira generalizada no seio da canalha bancária. Nunca houve preocupação com a Grécia e seu povo, o alvo da proteção era o dominó financeiro e seus investidores.
Sardenberg, moleque de recados do mercado financeiro e água no chopp do Brasil deixou de aparecer no jornal da grobo quando assunto é a quebradeira dos bancos europeus. O motivo você pode ver no vídeo a seguir.
Vassalagem excessiva ultrapassa o ridículo.
Via Esquerda.net
Bankia: Um banco zombie
A crise do Bankia tem vindo a marcar a crise bancária em Espanha, pelo seu peso, pela sua grave situação e pelo envolvimento de altos quadros do PP no banco. O seu presidente, que se demitiu a 7 de maio de 2012, era Rodrigo Rato, antigo ministro da Economia de Aznar e posteriormente diretor-geral do FMI, até 2007. O Bankia, parcialmente nacionalizado a 9 de maio de 2012, terá cerca de 32.000 milhões de euros de ativos tóxicos no seu balanço.
Artigo | 30 Maio, 2012 - 18:11
Bankiarrota 20.000 milhões e paga-los tu - Imagem de acampadalagomera.blogspot.pt
Em janeiro de 2010, Rodrigo Rato chegou a presidente da Caja Madrid, substituindo Miguel Blesa, depois de uma longa crise e de uma acesa disputa entre o presidente da Câmara de Madrid e a presidente da comunidade autonómica pelo controle da Caja Madrid, todos membros do Partido Popular (PP). O presidente da Câmara de Madrid era então Alberto Ruiz-Gallardón, atual ministro da Justiça do Governo de Espanha, apoiante de Miguel Blesa. A presidente da comunidade autónoma de Madrid era e é Esperanza Aguirre também ela do PP e que pretendia demitir Miguel Blesa e deter o controle da Caja Madrid. A saída negociada deste diferendo, apoiada por Mariano Rajoy com o aval do presidente do Banco de Espanha e do governo do PSOE presidido por José Luis Zapataero, foi entregar a presidência da Caja Madrid a Rodrigo Rato.
Em 2010, as cajas de ahorro eram já um grande problema na banca espanhola. As caixas de aforro (cajas de ahorro) são entidades de crédito com objetivos sociais, que não podem ter lucros, mas atuam com critérios de mercado e realizam operações financeiras, tal como qualquer outra instituição financeira1. Durante décadas, as cajas de ahorro foram controladas pelos poderes municipais e regionais, partilhadas entre o PP e o PSOE e estiveram profundamente envolvidas na bolha imobiliária. A crise do subprime estendeu-se a Espanha, as cajas ficaram imersas na crise imobiliária, as políticas de austeridade impostas pela UE e pelo FMI e praticadas pelos governos de Espanha agravaram ainda mais a situação.
Rodrigo Rato, como presidente da Caja de Madrid, encabeçou a fusão da Caja Madrid com a Bancaja2, arrastando outras cinco cajas3 para criar um grande banco de Espanha. Em resultado da fusão, foi criado em junho de 2010 o Banco Financiero y de Ahorros (BFA), que lançou em março de 2011 o Bankia, banco e marca comercial, controlado em cerca de 52% pelo BFA. O Bankia torna-se o quarto maior banco de Espanha, depois do Grupo Santander, do Banco Bilbao Vizcaya Argentaria (BBVA) e do grupo La Caixa de Barcelona.
O Bankia, era a concretização do objetivo de lançar um grande banco, juntando os melhores ativos do BFA, indo buscar 4.000 milhões de euros na bolsa e assim gerir lentamente os ativos tóxicos. Porém, o lançamento na bolsa correu mal. Coincidiu com novo agravamento da crise financeira na Europa, a venda das ações em bolsa prolongou-se e o seu valor caiu 15% em relação ao preço inicial estabelecido.
Por outro lado, o peso dos ativos tóxicos no BFA era muito grande e a política da austeridade agravou-a. Com o BFA criou-se a maior imobiliária de Espanha com uma carteira de créditos problemáticos no montante de 31.800 milhões de euros4.
A auditoria da Deloitte conclui que o BFA-Bankia tem um buraco de, pelo menos, 3.500 milhões de euros. A situação leva à demissão de Rodrigo Rato e à nacionalização do BFA. O Bankia é um banco zombie5, cuja necessidade de fundos do Estado têm continuado a aumentar e chegam no imediato a 19.000 milhões de euros e terá ativos tóxicos no montante de 31.800 milhões de euros na sua carteira de créditos imobiliários6.
1 Ver cajas de ahorro na wikipedia de Espanha.
2 Bancaja - Caja de Ahorros de Valência, Castellón e Alicante.
3 A fusão da Caja Madrid com a Bancaja, presidida por José Luis Oliva, igualmente destacado quadro do PP e ex-presidente da Generalitat de Valência, juntou outras cinco cajas: de Canarias, Rioja, Ávila, Segovia e Laietana.
4 Ver notícia em El Pais.
5 Banco zombie é uma instituição financeira com valor económico menor que zero, mas que continua a operar porque a sua capacidade de pagar as suas dívidas está sustentada no crédito governamental. (ver zombie bank na wikipedia em inglês)
6Ver notícia do El Pais, El Banco de España y Economía ultiman un profundo saneamiento de Bankia, 7 de maio de 2012.
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