Assim o jornal O Globo definiu, em editorial, a era Alfredo Nascimento no Ministério dos Transportes, que deixou como legado o escândalo Juquinha; ainda bem que ele foi “faxinado”
No: Brasil 247
“Símbolo de corrupção e incompetência”
A desmontagem do esquema de corrupção construído no Ministério dos Transportes a partir de 2003, quando o então presidente Lula doou a Pasta a futuros fundadores do PR, ajudou a criar a ideia da "faxina ética" em torno da presidente Dilma.
No arrastão de demissões, no ano passado, tiveram destaque o próprio ministro, Alfredo Nascimento, senador pelo Amazonas, presidente do partido, e o poderoso diretor-geral do Dnit, Luiz Pagot, responsável pela assinatura de contratos de obras e - tão ou mais importante - acertos em torno dos famigerados aditivos contratuais. Mas só depois de carimbados no balcão de negociatas montado no ministério pelo partido e entregues, segundo as denúncias, à gerência do indefectível Valdemar Costa Neto (PR-SP), mensaleiro, obrigado a renunciar ao mandato para escapar à cassação e voltar à Câmara na eleição seguinte.
Na época, ficou em segundo plano o presidente demitido da Valec, estatal de construção de ferrovias, vinculada ao ministério, José Francisco das Neves, o Juquinha, no cargo desde o primeiro ano da gestão Lula. Mas hoje não só Juquinha frequenta também o noticiário policial gerado pela corrupção, como a Valec virou símbolo de como a incompetência e a corrupção podem prosperar numa empresa estatal. Na Valec, sob a batuta de Juquinha, essas duas características observadas na área pública se somaram à perfeição.
Juquinha, também parceiro de Costa Neto neste ramo do Executivo federal, foi preso no início mês, acusado de praticar fraudes, e de se beneficiar delas, em licitações de obras em trechos da Ferrovia Norte-Sul, um projeto que se arrasta há duas décadas, outro monumento à incúria estatal. A Operação Trem Pagador - nome bem escolhido -, executada pela Polícia Federal em Goiás, atingiu também Marivone Ferreira das Neves e Jader Ferreira das Neves, mulher e filho de Juquinha, beneficiados pelo estonteante aumento de patrimônio do ex-presidente da Valec.
Algo digno de um desses gênios empreendedores do mundo digital: o valor dos bens de João Francisco, apenas os já identificados até agora, chega a R$ 60 milhões, bem mais que o R$ 1,5 milhão declarado por Juquinha em 2003, ao assumir a Valec. A contrapartida da gestão predatória é, como sempre, enorme prejuízo para a sociedade.
José Eduardo Castello foi nomeado para a Valec no fim do ano passado e instalou auditorias na obra da Norte-Sul, para levantar a dimensão do estrago. Foi inspecionada, segundo o jornal "Valor", a maior parte dos 855 quilômetros do trecho Sul, entre Palmas (TO) e Anápolis (GO). Apenas em estruturas e trilhos mal instalados será feita uma despesa adicional de R$ 400 milhões, ou quase meio bilhão de reais.
Em pelo menos 210 quilômetros serão necessárias obras corretivas, portanto em 25% do trecho. Erros graves se distribuem por cinco lotes, representando metade dos 855 quilômetros da ferrovia.
É um grande escândalo dentro de um outro, o próprio aparelhamento feito no Ministério dos Transportes para fins pecuniários e também de nepotismo (um filho do ex-ministro Alfredo Nascimento virou empresário de sucesso). A Valec mereceria uma investigação ampla e profunda, por ser emblemática do que pode acontecer quando o fisiologismo toma de assalto o Estado.
Do O Carcará
Nenhum comentário:
Postar um comentário
”Sendo este um espaço democrático, os comentários aqui postados são de total responsabilidade dos seus emitentes, não representando necessariamente a opinião de seus editores. Nós, nos reservamos o direito de, dentro das limitações de tempo, resumir ou deletar os comentários que tiverem conteúdo contrário às normas éticas deste blog. Não será tolerado Insulto, difamação ou ataques pessoais. Os editores não se responsabilizam pelo conteúdo dos comentários dos leitores, mas adverte que, textos ofensivos à quem quer que seja, ou que contenham agressão, discriminação, palavrões, ou que de alguma forma incitem a violência, ou transgridam leis e normas vigentes no Brasil, serão excluídos.”