Ontem, a valorização dos seus papéis transformou a Apple na empresa mais
valorizada da história: US$ 662,50 bilhões, superando os US$ 620,58 bi
da Microsoft no pregão do dia 30 de dezembro de 1999. Hoje em dia, a
Microsoft vale US$ 258 bi.
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O fato traz à memória a lambança que foi o mercado de tecnologia no
final dos anos 90. Uma grossa cobertura da mídia norte-americana criou
miragens inacreditáveis. Gurus milagrosos, capazes de transformar pó em
ouro, eram incensados. Muitos deles vieram ao Brasil para explicar seu
poder mágico de identificar os grandes lançamentos.
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Tudo fazia parte de um enorme esbulho dos acionistas, que ainda não entrou no inventário dos golpes de mercado com derivativos.
Em 10 de março de 2.000, sob o título “A exuberância irracional e os bancos” analisei um episódio sintomático.
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A Goldman Sachs, em análise feita naqueles dias, havia recomendado a
compra de ações da Microsoft, que já vinham em queda desde dezembro.
Por aqueles dias, a União Europeia havia instaurado inquérito contra a
empresa, acusando-a de práticas monopolistas. Chegava ao fim o arcabouço
tecnológico e jurídico que permitiu a Microsoft crescer durante
décadas, entrando em sistemas operacionais, bancos de dados, softwares
de rede, games etc.
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No artigo, reproduzi análises do leitor Cleber Resende.
Lembrava ele:
“Alguém em sã consciência pode sugerir que uma empresa que já vale US$ 400 bilhões poderá valer ainda mais?", perguntava ele.
Em 1998 a Microsoft faturou US$ 12 bilhões. Em 99, com todo o frisson
causado pelo lançamento do Windows 98, US$ 14 bilhões. Ela teria que ter
um lucro anual (lucro, não faturamento) de pelo menos US$ 40 bilhões,
para valer o que valia por aqueles dias. No primeiro trimestre de 2012,
seu lucro foi de US$ 5,11 bilhões.
(…) A sua especialidade é o mercado domiciliar e os pequenos
escritórios. Quando sai para outros segmentos, a história tem sido
outra. Em certos nichos, como o dos videogames, os computadores perderam
feio para os consoles japoneses.
Posteriormente, a Microsoft foi bem sucedida no mercado de games.
Continuava a análise:
A sua penetração no mercado empresarial, em que lança agora o Windows
2000, não é das mais fortes. Até hoje o NT não conseguiu o desempenho
dos sistemas Unix, e empresas como a Oracle continuam dominando
amplamente o universo dos provedores de Internet.
A estratégia de casar as aplicações em desktops individuais com a rede
produziu uma barafunda infernal em seus sistemas. O resultado foi a
criação de programas dez vezes maiores que os dos concorrentes para
executar as mesmas tarefas.
Pela primeira vez a Microsoft está entrando em um território em que já
estão empresas tecnologicamente dinâmicas e consolidadas. E no seu
próprio território a tendência será o acirramento da concorrência, pelo
surgimento de sistemas abertos e de programas gratuitos e mais
funcionais.
Provavelmente o banco tinha em carteira papéis da Microsoft.
Despejando-os no mercado, as cotações cairiam mais ainda. Providenciou
então uma análise favorável, para poder passar o mico para terceiros.

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