Por Altamiro Borges
Em entrevista à rádio Jovem Pan, na quinta-feira passada, o
tucano José Serra exibiu um de suas peças de campanha para a prefeitura de São
Paulo. Ele voltou a falar sobre o chamado “kit gay”, deixando explícito que
apostará novamente na baixaria e no preconceito – como fez nas eleições
presidenciais de 2010. “Não quero nem entrar em detalhes, porque vão dizer que
eu estou introduzindo o tema na campanha, mas [o "kit gay"] tinha
aspectos ridículos e impróprios para passar para as crianças pequenas”,
alfinetou.
Apesar de acossado pelo midiático Celso Russomanno (PRB), com
que está empatado nas pesquisas e até perde nas sondagens para o segundo turno,
o eterno candidato tucano verteu o seu veneno contra Fernando Haddad. Na
prática, o comando do PSDB avalia que a eleição paulistana será novamente
polarizada e já concentra a sua artilharia obscurantista contra o candidato
petista. Para Serra, o ex-ministro da Educação “é quem tem que se explicar... É
natural que cobrem isso na campanha”.
Comitê evangélico e périplo por igrejas
Segundo o jornal Estadão, que não esconde sua simpatia pelo eterno
candidato, “Serra tem dirigido críticas ao candidato petista nos
últimos dias, apesar de dividir a primeira colocação nas pesquisas de
intenção
de voto com o candidato do PRB, Celso Russomanno. Na terça-feira
passada, Serra
fez referência ao julgamento do mensalão. O escândalo tem petistas como
alvo
principal. Nos bastidores, a campanha de Serra acredita que Haddad vai
subir
nas pesquisas com o início do horário eleitoral de TV no dia 21 de
agosto”.
Temendo mais uma derrota eleitoral e o fim da sua “carreira”
política, o tucano nem sequer esconde mais os seus vínculos com setores conservadores
e obscurantistas. Segundo a Folha, outro jornal serrista de carteirinha, o
candidato tem se empenhado ao máximo para conquistar o apoio de líderes
evangélicos conhecidos por suas posições homofóbicas e reacionárias. “Serra
monta comitê evangélico e faz périplo por igrejas”, destacou a Folha na semana
passada, sem apresentar qualquer leitura crítica sobre estes apoios.
Desde abril, após ter sido escolhido como candidato pelo
PSDB, o tucano já visitou nove grupos religiosos. Os encontros são feitos às
escondidas, sem divulgação na sua agenda política. Nestes estranhos contatos,
Serra já recebeu a adesão da igreja Renascer em Cristo, liderada pelo casal
Estevam e Sônia Hernandes, preso nos EUA em 2007; as “bênçãos” de Valdemiro
Santiago, da Igreja Mundial do Poder de Deus; e um “conte comigo” do midiático
Marcelo Rossi. “Eu sou um admirador dele. Somos amigos”, afirmou o padre.
Do Blog do Miro
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