Ação contra jornal dos trabalhadores que trazia reportagem sobre eleição do dia 7 foi recolhido e retirado do site do Sindicato
São Paulo - A Folha Bancária foi censurada. Um policial militar e
uma oficial de Justiça estiveram na sede do Sindicato na noite desta
quinta-feira 4, além das regionais da entidade, com ordem de busca e
apreensão da última edição da FB. A representação protocolada na 1ª
Zona Eleitoral de São Paulo (Bela Vista – Capital) na mesma
quinta-feira, foi assinada pela juíza Carla Themis Lagrotta Germano, e
previa inclusive ordem de arrombamento, “se necessário”.
A censura teve origem em pedido da coligação do candidato José Serra
(Avança São Paulo – PSDB, PSD, DEM, PV e PR) que solicitou o
recolhimento dos exemplares da Folha Bancária, além da retirada da versão online do site. O mandado afirma que a “matéria denigre a imagem” de Serra.
O jornal trazia na última página reportagem que analisava as propostas e
trazia o histórico dos candidatos que lideram a pesquisa à prefeitura
de São Paulo: Russomano, Serra e Haddad. Também declarava o apoio da
maioria da direção executiva da entidade a Fernando Haddad (PT), o único
a receber e se comprometer com a Agenda da Classe Trabalhadora.
“O Sindicato tem quase 90 anos de existência e sempre lutou pela
democracia e pela liberdade de expressão. Desde o ano passado estamos
fazendo o debate, com os bancários, do que afeta a qualidade de vida dos
trabalhadores. Além da campanha salarial e por melhores condições de
trabalho, somos um sindicato cidadão se preocupa com a cidade, o estado e
o país em que os trabalhadores vivem. Sabemos da importância desse
debate”, afirma a presidenta do Sindicato, Juvandia Moreira. "Os
trabalhadores têm direito a analisar as propostas dos candidatos. Pode
haver divergência, mas repudiamos a censura”, ressalta a dirigente,
lembrando que a FB coloca em prática o bom jornalismo. “Não denegrimos a
imagem de ninguém. Só não pudemos noticiar o plano de governo de um
dos candidatos que não tem seu material divulgado nos sites oficiais da
campanha.”
Dados – O jornal Folha Bancária circula desde 1939, o site do Sindicato está no ar desde 2005. É a primeira vez que sofrem censura.
O advogado do Sindicato, Luiz Eduardo Greenhalgh, estranha o
desrespeito com que a liminar foi cumprida no Sindicato. “Entraram.
Foram recepcionados por funcionários do Sindicato e invadiram as
dependências. Comportamento estranho, que não é a conduta costumeira da
Justiça eleitoral de São Paulo”, afirma. “Com relação ao mérito vamos
contestar e tentar suspender a busca e apreensão.”
Para o presidente da CUT, Vagner Freitas, está sendo usurpado o direito
de informação dos trabalhadores. “Todos os veículos se expressam e
respeitamos. Defendemos a liberdade de imprensa, o direito à livre
manifestação e foi isso que colocamos em prática. É o nosso ponto de
vista, podem concordar ou discordar, mas não censurar”, ressalta o
dirigente.
Revista do Brasil – Esta é a terceira vez que Serra investe
contra a liberdade de expressão dos trabalhadores, quando o assunto não
lhe agrada. Em 2006 e 2010, duas edições da Revista do Brasil,
uma que trazia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outra com a
então candidata à presidência Dilma Rousseff, foram censuradas por
solicitação da coligação tucana à época daquelas eleições. A Revista do
Brasil é mantida por cerca de 60 sindicatos de diversas categorias
profissionais.
Cláudia Motta
No Sindicato dos Bancários
No Sindicato dos Bancários
Nenhum comentário:
Postar um comentário
”Sendo este um espaço democrático, os comentários aqui postados são de total responsabilidade dos seus emitentes, não representando necessariamente a opinião de seus editores. Nós, nos reservamos o direito de, dentro das limitações de tempo, resumir ou deletar os comentários que tiverem conteúdo contrário às normas éticas deste blog. Não será tolerado Insulto, difamação ou ataques pessoais. Os editores não se responsabilizam pelo conteúdo dos comentários dos leitores, mas adverte que, textos ofensivos à quem quer que seja, ou que contenham agressão, discriminação, palavrões, ou que de alguma forma incitem a violência, ou transgridam leis e normas vigentes no Brasil, serão excluídos.”